Por que a renda variável é recomendada para longo prazo?

Um dos conselhos mais importantes para quem pretende começar a se envolver com a renda variável é que você deve encarar ela como um investimento de longo prazo. No entanto, as pessoas nem sempre compreendem totalmente a razão para isso, e porque investimentos de curto prazo em renda variável são considerados muito arriscados para investidores/as comuns.

Nesse texto, nós do Investindo Certo explicamos essa questão de forma didática para que você possa tomar suas decisões de forma tranquila e segura.

Para isso, vamos tratar do principal ativo da renda variável, que são justamente as ações. Num outro texto, explicamos as diferentes formas pelas quais você pode se expor a essa classe de ativo. Uma ação não é nada mais do que uma participação em uma empresa, daí que elas sejam empresas de participação pública sob a forma de uma sociedade anônima. Anônima porque não importa quem são as pessoas que integram a sociedade, mas sim o fato de que elas detêm aquele título, que pode trocar de mãos na bolsa de valores sem afetar o funcionamento da empresa.

Portanto, quando compramos ou vendemos uma ação, estamos pagando ou recebendo o preço da participação em uma empresa. Os nossos ganhos são, então, resultado da mudança no preço de uma ação: compramos por um preço e, com o tempo, vendemos por um preço mais alto. Isto, justamente porque mais pessoas estão dispostas a pagar um preço mais alto para ganhar participação nessa empresa. Além disso, ganhamos ainda quando a empresa distribui seus dividendos, que são uma repartição dos lucros entre quem faz parte dessa sociedade.

 

Empresas crescem a longo prazo

Conforme entendemos que nossos ganhos em ações vêm do crescimento das empresas das quais temos participação, fica muito mais fácil compreender a razão para esse tipo de investimento ser mais recomendado para prazos mais longos, como cinco, dez, vinte anos ou mais. Para facilitar, vamos pensar no caso de uma empresa que acabou de disponibilizar suas ações na bolsa brasileira, com um valor de R$10. No dia seguinte, pode ser que ela esteja sendo negociada a R$9, na outra semana, a R$11 e depois de um mês, a R$10. Essas oscilações resultam, em grande medida, de pessoas adquirindo ou se desfazendo de sua participação, pelos mais diversos motivos.

Vamos pensar, por exemplo, que alguma notícia tenha saído a respeito da empresa, fazendo o preço dela subir ou cair um pouco. Em essência, os negócios que ela realiza continuam os mesmos, assim como a expectativa de lucros futuros. Se um restaurante vende muito pouco em um dia, isso não quer dizer que esteja quebrando, e se vende muitas refeições em um dia, também não quer dizer que é um sucesso. O que importa é que, ao longo de meses, anos, décadas, o negócio continue consistentemente lucrativo e em expansão. O mesmo se aplica a qualquer outra empresa, inclusive as negociadas em bolsa!

Lembre-se que boas empresas tendem a crescer cada vez mais, e a ideia é que você acompanhe esse crescimento para ganhar com ele. Só que isso só será possível caso se comprometa a deixar que ela faça isso no tempo normal das empresas, que é muito diferente das oscilações do dia-a-dia que vemos no mercado. Mas essa não é a única razão para encarar a renda variável como um investimento de longo prazo.

 

Os riscos se diluem no tempo

Warren Buffett é um dos mais famosos investidores da história, e cunhou várias frases que resumem bem a postura que devemos adotar para termos sucesso nas finanças pessoais. Uma delas diz mais ou menos o seguinte: “eu não sei onde o mercado de ações vai estar daqui a dez meses, mas daqui a dez anos ele vai estar mais alto do que hoje”. A ideia é que não é possível prever a direção dos mercados no curto prazo, mas que se deixarmos o tempo trabalhar a nosso favor, o risco de perdermos dinheiro cai muito!

Claro, isso não significa que não corremos risco, mas sim que esse risco vai se diluindo no tempo. Voltemos ao caso de nossa empresa hipotética, e digamos que ela caiu de R$10 para R$5 em alguns dias. Nós temos duas opções aqui: podemos vender nossa participação por R$5 e aceitar o prejuízo, ou podemos dar para a empresa o tempo necessário para recuperar seu valor e voltar a crescer, dando lucros no futuro. Isto porque, se a empresa realmente for boa, ela tende a se recuperar a despeito desse momento ruim.

Entretanto, se colocamos nosso dinheiro em renda variável com a perspectiva de ter ganhos rápidos, precisamos aceitar a possibilidade de perdas igualmente rápidas. O grande problema então é investirmos um dinheiro do qual podemos precisar num futuro próximo, como aquele da nossa reserva de emergência, e sermos obrigados a aceitar uma perda (que pode ser bem grande) porque não podemos esperar as ações voltarem a um preço interessante para nós.

 

Bom histórico de rendimentos

Quando olhamos os rendimentos oferecidos pela renda fixa e pela renda variável no longuíssimo prazo, fica claro que os retornos são muito, muito maiores no segundo caso do que no primeiro, com um risco que acaba se tornando equivalente nesse período – digamos, cinquenta ou cem anos. Além disso, a maior parte dos/as profissionais recomenda que ao longo da vida a quantia alocada em renda variável ocupe um espaço bem maior quando somos jovens e vá diminuindo com o passar dos anos. A razão é que, conforme envelhecemos, a segurança dos retornos é mais importante que a ampliação do patrimônio.

Ao mesmo tempo, essa estratégia permite que bons investimentos em renda variável tenham bastante tempo para florescer, ao passo que investimentos ruins (que sempre existirão), não causem um impacto tão grande ou para que se possa recuperar eventuais prejuízos. Como a renda fixa precisa de um montante maior para gerar um retorno estável e significativo, foca-se primeiro em assumir mais riscos para aumentar o patrimônio ao longo da vida. Depois, o que foi acumulado serve para complementar ou sustentar nossa aposentadoria.

 

Cuidado com resultados de curto prazo

Uma última questão que preciso enfatizar é que muitas pessoas, principalmente nas redes sociais, prometem ganhos altos e rápidos para “quem se esforçar de verdade”. Como vimos, no curto prazo, o preço não reflete tão bem o valor de uma empresa, e é bastante imprevisível. Isso significa que ele pode gerar ganhos muito substanciais, mas perdas igualmente profundas. Quanto menor o prazo de um investimento em renda variável – caso do day trade – mais arriscado e menos lucrativo ele tende a ser quando repetido.

Então, ainda que seja verdade que alguém – analista, vendedor/a de cursos, influencer – possa ter conseguido um resultado muito fora da curva (na maioria das vezes não é), lembre-se que essa pessoa não tem capacidade alguma de repetir esse feito, porque ele foi determinado principalmente pela sorte. Jogar na mega sena é uma questão de sorte porque você não tem influência sobre o resultado e porque é impossível repetir esse feito de forma previsível, não é nem um pouco diferente com o preço das ações.

Existe, sim, a possibilidade de ganhar com oscilações de preço de curto ou médio prazo, mas isso é uma atividade que dificilmente é vantajosa para quem não pretende se profissionalizar no mercado financeiro. Ainda assim, envolve uma série de conceitos estatísticos e de análise de dados, que quase nunca são abordados em cursos que prometem ensinar a “ganhar dinheiro no mercado”.

Basta ver o quanto essas pessoas fazem para evitar mostrar resultados de longo prazo, optando por tentar “mostrar” que tem muito dinheiro (geralmente não tem), ou mostrando apenas resultados parciais. Se tivessem simplesmente investido em uma ação e deixado o tempo passar, provavelmente teriam ganho muito mais, com muito menos risco e esforço. Por isso, não caia nessa armadilha!

Para citar mais uma frase de Warren Buffett: “as pessoas perdem na bolsa de valores porque ninguém quer ficar rico/a rápido”. Quer dizer, dê tempo ao tempo e ele lhe dará uma jornada tranquila, segura e próspera nos seus investimentos.

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