Quer investir em ações, mas não sabe como começar? Conheça as melhores formas!
Embora tenham se tornado bem mais populares nos últimos anos, com uma verdadeira multidão de pessoas se cadastrando pela primeira vez na B3, atualmente a única bolsa de valores do Brasil, a grande maioria das pessoas ainda conhece muito pouco sobre esse tipo de investimento, assim como seus aspectos de risco e retorno.
Essa falta de informação é um grande problema, pois de um lado deixamos de tirar proveito dessa importante classe de ativos, e por outro lado, porque corretoras, casas de análise, agências de investimento, entre outras, se aproveitam disso para vender promessas de riqueza para a população em geral. No extremo, fazem circular informações errôneas, comparações descabidas e generalizações que quase sempre vão de encontro ao seu interesse.
Nesse texto, vamos apresentar várias formas pela qual você pode investir em ações, seja diretamente na bolsa ou, preferencialmente, através de instrumentos indiretos. Isto, porque tendem a ter ganhos mais modestos, mas perdas mais controladas, visto que são geridos por profissionais de mercado com anos de experiência, uma enorme estrutura operacional e de pesquisa, etc. Entretanto, primeiro precisamos entender o que são ações.
O que são ações?
As ações de uma empresa não são nada mais do que títulos que comprovam te dão direito a uma participação na empresa, como se você se tornasse sócio/a dela. Conforme a empresa gera lucro, você recebe uma parte sob a forma de dividendos e, caso a empresa cresça no tempo, suas ações se tornam mais valiosas. O preço pago por uma ação reflete, então, o quanto agentes do mercado estão dispostos/as a pagar, num dado momento, por um pedacinho daquela empresa. Em linhas gerais, boas empresas tendem a continuar crescendo no longo prazo, o que atenua os riscos para quem investe.
Entretanto, como sabemos se uma empresa é boa ou não? Principalmente, como podemos avaliar se estamos pagando caro ou barato pela nossa participação? Trata-se de uma pergunta bastante complicada, pelo simples fato de que estamos sempre atuando no presente, com vista no passado, mas sem termos ideia do que o futuro reserva. Essa incerteza é inerente ao mercado de renda variável e principalmente no caso das ações.
Em 2010, as ações da telefônica Oi chegaram a valer R$100, mas em março de 2020 eram cotadas a cerca de míseros 60 centavos. Trata-se de um caso extremo, mas que ilustra bem o quanto o futuro é incerto e por que devemos ter cautela ao analisarmos as coisas. Por essa razão é que quando alguém aparece numa propaganda, falando sobre ganhos de 10, 50, 100 vezes o valor investido, precisamos nos lembrar que para cada caso desses, temos outras dezenas ou centenas de investimentos que deram errado – de que adianta ganhar 100% em um investimento, se nos outros 10 você perdeu 95%?
Investindo diretamente na bolsa
Para comprar e vender ações na B3, basta ter conta em uma corretora de valores brasileira, com aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e o dinheiro em caixa. Lembre-se que o lote padrão no Brasil é de 100 ações, mas o valor cotado é para apenas uma. Por exemplo, se a ação custa R$10, precisaria de R$1.000, o equivalente a 100 ações.
Para comprar de uma em uma, temos o mercado fracionário, que é um pouco menos líquido, e pode ser acessado digitando a sigla da empresa na B3, adicionando no final a letra “F” (fracionária). Então, para vermos a cotação da Petrobrás, digitaríamos o código (ou ticker, no jargão da bolsa) PETR4 e se quiséssemos comprar de uma em uma, ou um total menor que 100 ações, digitaríamos o código PETR4F. Tudo isso pode ser feito via home broker, que é a plataforma disponibilizada gratuitamente pela sua corretora para acessar o mercado ao vivo.
Agora que você sabe como pode comprar ações, voltamos a grande questão: como escolher boas empresas? Ao contrário do que vemos ser divulgado na Internet, principalmente com o intuito de vender cursos ou gerar receita para as corretoras e agências de investimento, não é uma boa ideia montar sua própria carteira. Isto, a não ser que você tenha um extenso conhecimento técnico e tempo livre para realizar pesquisas aprofundadas, assim como para administrar suas posições, fazer aportes, balanços, etc.
Via de regra, diria que se você não atua profissionalmente, ou gostaria de investir diretamente na bolsa mais por prazer do que por lucro (obviamente com uma parte bem limitada do seu capital), tem muito mais a perder do que a ganhar operando por conta própria. Embora deixe espaços aqui e ali, mesmo mercados mais precarizados como a B3 são extremamente eficientes, tornando a tarefa de bater a média geral bem complicada.
Tanto é que, nos últimos cinco anos, só metade dos fundos de investimento em ação do Brasil geraram mais retorno que o Índice Bovespa, que simplesmente agrega as ações mais negociadas da bolsa, e isso por contarem com uma estrutura gigantesca de pesquisa, benefícios para execução de ordens, profissionais experientes. As chances de que você consiga ter uma performance superior, de forma consistente no longo prazo – quer dizer, sem que seus resultados sejam atribuídos a sorte – é bem baixa.
Entretanto, existem formas de fazer isso que são menos arriscadas para quem deseja atuar como investidor/a individual no mercado de ações, sem necessidade de pagar caro por um curso que dificilmente lhe será útil. Basta escolher e seguir uma carteira recomendada, seja ela feita por uma corretora ou analista profissional.
As carteiras recomendadas
Praticamente todas as corretoras do Brasil possuem uma equipe de analistas responsáveis pela elaboração de uma carteira recomendada, que geralmente é publicada mensalmente. Junto a ela, costuma-se publicar um pequeno relatório discutindo o mês anterior e as razões para adicionar, remover, aumentar ou diminuir o tamanho da posição em determinado setor ou empresa.
A carteira recomendada trará uma série de ações e uma porcentagem que representa o quanto ela deve representar na sua carteira, naquele momento. Para simplificar, digamos que a carteira tenha dez ações, cada uma representando 10% do portfólio. O que você irá fazer é comprar, digamos, uma ação de cada, ou um lote padrão (100 ações) de cada. No mês seguinte, essa composição provavelmente será diferente e você deverá, então, readequar suas posições para refletir essas mudanças.
Uma das vantagens das carteiras recomendadas é que, em geral, elas possuem um histórico de rentabilidade de prazo mais longo. Quer dizer, mostra quais foram os rendimentos e perdas acumuladas ao longo dos anos, para que você possa compará-la com outras, sejam de corretoras ou analistas individuais.
Importante: nunca confie em quem não te oferecer um histórico de rendimentos! Muitos/as analistas profissionais emitem recomendações de compra/venda sem oferecerem um histórico detalhado, tenha cuidado!
Casas de análise (research)
Um outro recurso interessante para quem tem um pouco mais de experiência no mercado é assinar os serviços de uma casa de análise, ou casa de research (inglês para “pesquisa”). Trata-se de uma empresa especializada em produzir relatórios profissionais sobre o atual estado do mercado e emitir recomendações de compra ou venda de ativos, que não necessariamente compõe uma carteira recomendada. Tais ativos envolvem não apenas ações, como ainda fundos imobiliários, moedas, títulos de renda fixa e toda sorte de instrumento financeiro.
Essa pode ser uma opção interessante para quem está continuamente em busca de oportunidades de diversificação do portfólio, que geralmente não é o caso de quem está dando seus primeiros passos no mercado financeiro. Isto porque tais pessoas possuem um conhecimento mais amplo sobre o que esperar de cada investimento, quanto arriscar naquela situação e quanto aquele resultado individual pode impactar no rendimento como um todo, aspectos de liquidez e maturação, etc.
Fundos de investimento
A forma mais segura, tranquila e muito provavelmente, mais rentável de investir em ações é adquirindo cotas de um fundo de investimento. Ainda falaremos muito sobre essa classe de ativos aqui no site, mas o que você precisa entender é que ele funciona ao juntar o dinheiro de várias pessoas e instituições, para que uma equipe de gestão profissional tome as decisões de investimento em nome do fundo como um todo.
Entretanto, é bom lembrar que todas as decisões respeitam as regras definidas no estatuto do fundo, que é muito semelhante ao estatuto de uma empresa, com as regras, processos, estrutura organizacional, etc. Assim, logo de início você saberá o que a gestão pode ou não fazer com o capital do fundo, e isso tem impacto direto nas características de risco-retorno – de curto ou longo prazo, nacionais ou internacionais, etc.
Isso, claro, terá um custo para quem investe. Em geral, fundos de ação cobram algo entre 1% e 2% ao ano sobre o capital investido, com alguns cobrando uma taxa de performance sobre os lucros que excedem o seu benchmark (índice de referência), geralmente algo em torno de 20%. Logo, se o Ibovespa rendeu 5% e o fundo rendeu 10%, o fundo fica com 20% desses 5% a mais, que são usados como bonificação para a equipe de gestão.
Como vimos acima, quase metade dos fundos de investimento em ações não conseguiu superar o Ibovespa nos últimos cinco anos, mas dentre aqueles que superaram, alguns tiveram uma margem de lucro muito maior. Quão maior? Bom, enquanto o índice nacional amargou uma perda de -9,44% em 2020, os três melhores colocados no ranking da XP no ano passado geraram retornos de 29,31%, 28,67% e 21,02%, respectivamente. De 2011 a 2021, o Equitas Selection, um dos fundos mais famosos do país, acumulou retorno de 494%, contra míseros 79% do Ibovespa.
