Entenda a diferença entre investir em CRI, CRA, LCI e LCA.
Não é tudo a mesma coisa: entenda a diferença entre investir em CRI, CRA, LCI e LCA.
Não são poucas as vezes em que as pessoas confundem o que são as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) ou do Agronegócio (LCA) e o que são os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) ou do Agronegócio (CRA). Os nomes são parecidos, remetem aos mesmos setores da nossa economia, remuneram de forma semelhante e, de quebra, são todos isentos do Imposto de Renda. Por isso mesmo, muita gente e inclusive profissionais da área de finanças acabam dizendo que, para quem investe, “são a mesma coisa”.
A questão é um pouco mais complexa do que isso, como vamos te mostrar neste texto, inclusive porque aqui no Investir Certo acreditamos na capacidade das pessoas de compreenderem as complexidades do mercado financeiro, desde que expliquemos as coisas de uma forma mais didática. Além disso, se fossem a mesma coisa, por que existiriam esses títulos diferentes? Será que não estamos ignorando algumas questões relevantes? Pois é, quando olhamos bem para o tema, veremos que existem diferenças bem importantes.
A grande diferença entre uma letra de crédito e um certificado de recebível é a origem desses títulos de investimento. O primeiro deles é emitido por uma instituição financeira, principalmente bancos; o segundo é emitido por uma empresa ou grupo empresarial. Isso faz toda a diferença para quem investe, a começar pela diferença entre títulos bancários e empresariais, porque no primeiro caso, seu investimento muito provavelmente será protegido pelo Fundo Garantidor de Crédito, o popular FGC.
O que é FGC?
Criado em 1995, o Fundo Garantidor do Crédito, ou FGC, é uma instituição sem fins lucrativos que visa preservar a confiança de investidores/as no sistema financeiro nacional. É sustentado pelas contribuições de bancos, que investem mensalmente 0,01% dos valores transacionados em títulos com cobertura do FGC.
Na prática, para quem investe, ele garante o pagamento do total investido incluindo-se a rentabilidade acordada para o período, caso o banco emissor não seja capaz de honrar com o pagamento (caso de bancarrota, liquidação judicial, etc.). Na medida em que o FGC é sustentado e administrado pelos bancos, faz sentido que apenas investimentos de origem bancária tenham esse tipo de proteção, como CDBs e as LCI/LCA.
Além disso, é bom lembrar que existem regras para esse recebimento: a garantia de recebimento é de até 250 mil reais, por CPF ou CPNJ, para cada instituição ou conglomerado financeiro. Há ainda um limite de 1 milhão de reais a cada quatro anos e a partir do momento em que a instituição emissora entra em bancarrota, os rendimentos deixam de serem contabilizados. Vamos ilustrar tudo isso com um exemplo hipotético.
Digamos que você tenha investido 100 mil reais em uma letra de crédito imobiliário, com vencimento de cinco anos, e ao fim do terceiro ano, o banco que emitiu esse título entra em liquidação judicial. Você terá garantia de recebimento dos seus 100 mil e os rendimentos que foram acumulados até aquela data, que suponhamos que foram de 10 mil reais. Durante os próximos quatro anos, você ainda tem garantia de em torno de 890 mil para investimentos com proteção do FGC, desde que seja respeitado o limite de 250 mil reais por instituição emissora.
LCI e LCA – Garantia de Recebimento
As letras de crédito, assim como certificados de depósito bancário (CDB), possuem, portanto, uma garantia de pagamento. Embora limitada, isso significa que na maior parte dos casos, investimentos em títulos bancários são inerentemente menos arriscados do que aqueles que possuem uma origem empresarial, que é o caso dos CRI e CRA. Enquanto nas LCI e LCA o banco capta dinheiro para oferecer financiamento aos setores imobiliários e do agronegócio, nos CRI e CRA a captação ocorre diretamente pelas empresas envolvidas, sem que necessariamente existam garantias.
Isso nos traz a uma questão fundamental em qualquer investimento, que é avaliar os potenciais riscos e retornos envolvidos em cada aplicação. Veja bem: se uma LCI e um CRI estão oferecendo o mesmo rendimento, nas mesmas condições, é claramente mais interessante investir na LCI. Isto, porque o risco de não receber de volta o dinheiro investido, assim como os seus rendimentos, é muito menor nesse caso. Para que o CRI fosse interessante, do ponto de vista do risco e retorno, ele precisaria oferecer um rendimento mais alto para compensar esse risco maior de ficar sem receber.
Partindo desse mesmo ponto de vista, o risco de insolvência ou falência é muito menor quando tratamos de uma LCI ou LCA. Isto porque se trata de uma modalidade na qual o banco capta o dinheiro e o oferece como empréstimo a centenas ou mesmo milhares de empresas ou pessoas, de modo que a falência de uma das partes tomadoras não tem grande impacto na carteira como um todo. Sem mencionar, ainda, que essa é apenas uma das várias formas pela qual os bancos obtêm lucro.
Ao falarmos de CRI ou CRA, estamos falando, em geral, de uma antecipação de recebíveis, que nada mais é do que abrir mão dos pagamentos futuros em troca de um pagamento imediato. Para simplificar: uma construtora vende vários apartamentos, que serão pagos em prestações durante quinze anos. Como ela precisa de caixa imediato para iniciar o próximo projeto, ela troca o direito a essas parcelas por um adiantamento do valor total descontado, e essa diferença é o que gera lucro para quem compra o título.
O risco principal está, então, na incapacidade da empresa emissora de honrar suas dívidas, algo que por sua vez está relacionado ao risco que a própria empresa tomou na hora de ceder crédito a outras empresas ou pessoas físicas. Lembrando que, diferente do banco, nos casos do setor imobiliário e de agronegócio, não há uma diversidade tão alta de formas de geração de caixa como a que vemos em bancos.
Uma última diferença crucial entre LCI e CRI, LCA e CRA, diz respeito a capacidade de oferecer liquidez a quem investe nesses títulos. Títulos de origem bancária costumam ter uma liquidez bem mais alta porque os bancos existem, em larga medida, para oferecer liquidez a economia. Por isso mesmo, títulos como LCI e LCA costumam oferecer opções de resgate mais interessante, ao passo que CRI e CRA seguem o caminho oposto.
Como são emitidos por instituições não-financeiras, isto é, que se dedicam ao setor imobiliário e do agronegócio, elas não são estruturadas tendo em mente a oferta de liquidez, e seu dinheiro pode ficar indisponível por um bom tempo até que você consiga resgatá-lo, o que torna esses investimentos interessantes apenas quando se tem uma reserva robusta de investimentos que podem ser liquidados com mais velocidade, caso seja necessário.
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