O que são e como funcionam os fundos de investimento?
Um dos grandes problemas enfrentados por quem está começando a investir é navegar pela quantidade alucinante de produtos de investimento disponíveis: LCI, LCA, CDB, NTN-F, NTN-B, CRI, CRA… A proverbial sopa de letrinhas do mercado financeiro parece não ter fim. Diante de tantas opções, muita gente acaba indo às favas com a ideia de investir, algo que acaba tendo um impacto muito grande ao longo da vida.
O que acontece, na maioria desses casos, é que as pessoas encaram a questão do investimento das finanças pessoais como uma jornada solitária, onde elas terão que estar constantemente avaliando oportunidades, acompanhando vários mercados, fazendo contas e tudo mais por conta própria. A verdade é que essa rota é a pior possível, embora bastante recomendada por quem vive da venda de cursos sobre mercado financeiro para pessoas físicas.
No fim das contas, o resultado final, em termo e retorno absoluto sobre o que você investiu tendem a ser menores do que se tivesse recorrido a um bom grupo de profissionais – claro, entendendo pelo menos o mínimo necessário para não deixar maus/más profissionais te passarem a perna. Neste artigo, vamos falar um pouco sobre uma das formas mais simples, eficientes e rentáveis de se investir: através dos fundos de investimento.
O que é um fundo?
Fundos são, em essência, um conjunto de investidores/as que decidem juntar parte de seus recursos num único lugar, para que o montante como um todo seja aplicado em um ou mais tipos de investimento específicos. Como o tamanho do capital de investimento se torna muito maior, torna-se possível acessar uma gama muito maior e melhor de oportunidades do que se estivessem investindo por conta própria.
Imagine, por exemplo, que você tem uma pizzaria e gostaria de comprar o melhor molho de tomate disponível no mercado, mas o preço por unidade é alto demais para ser viável. O que você faz, então? Compra uma quantidade maior de uma vez só, por um preço mais acessível, no mercado atacadista. Se quiser um preço mais baixo ainda, você pode se juntar com outras pizzarias da cidade para organizar uma compra ainda maior, diretamente com a fabricante. Conforme cresce o tamanho, e o interesse comum em adquirir esse produto, melhores as condições para adquiri-lo.
Só para esclarecer, é importante que exista um interesse comum, que de resto não afeta tanto o restante das atividades: cada pizzaria terá seus custos e receitas com queijos, carnes, funcionários/as, etc. Entretanto, como existe um fundo que pode ser acessado para a aquisição do molho de tomate, cada participante, uma vez que tenha feito o aporte mínimo, poderá adquirir a quantidade que melhor atende aos seus interesses individuais. Justamente por isso, a concorrência entre essas pizzarias e os produtos que oferecem para seu público-alvo é preservada, o que é bom para todas as partes envolvidas.
A questão que fica, no caso dos fundos de investimento, é: quem ficará responsável por escolher os investimentos? Essa é uma das melhores partes, porque esses fundos são compostos por uma equipe de profissionais especializados/as no tipo de investimento no qual estamos interessados/as em investir, que ficará por conta de analisar diariamente as oportunidades disponíveis, acompanhar e analisar os mercados.
O que essa equipe receberá em troca será uma porcentagem do total investido por cada participante, que em geral varia entre 0.5% e 2% ao ano, que é a chamada taxa de administração, paga pelos serviços prestados. Além disso, alguns fundos cobram aquilo que chamamos de taxa de performance, isto é, um bônus para a equipe quando os resultados produzidos são maiores do que a média do mercado, que é dada por indicadores como o CDI (renda fixa) ou o Índice Bovespa (renda variável), para citar alguns.
No geral, essa taxa é de 20% sobre o que exceder o retorno do benchmark (indicador de referência). Digamos que, em um ano, o Ibovespa tenha rendido o equivalente a R$100, e um fundo de investimento tenha dado um lucro de R$150. Você ficaria com os R$100 equivalentes ao Ibovespa (referência), mais 80% desses R$50, equivalente a R$40. Os outros 20% seriam convertidos em bônus para a equipe e dando motivação para a superação da meta.
Entretanto, é bom ter em mente que essa taxa também pode ter um efeito contrário, visto que pode estimular uma maior exposição ao risco, uma vez que a equipe não perde nada caso a meta não seja batida, e a maior parte dos ganhos incide sobre o capital investido, independentemente da performance. Por isso é importante buscar fundos com boa reputação e histórico de rendimentos, especialmente na renda variável, onde os resultados podem ser muito diferentes de um para outro.
Tipos de fundo de investimento
Os dois tipos principais de fundos são os de renda fixa e renda variável, com cada uma abarcando alguns outros subtipos principais de acordo com o tipo de ativo no qual investe, assim como a estratégia utilizada – se são de curto ou longo prazo, se replicam um índice, etc. Nesse artigo, trataremos deles de uma forma um pouco mais superficial, justamente porque nosso foco é te dar uma visão mais geral sobre como funcionam – e logo mais traremos outros textos explorando a fundo cada um deles.
Comecemos com os fundos de renda fixa, que são um pouco mais simples de compreender. Eles irão trabalhar apenas ou principalmente com investimentos em renda fixa, como títulos do Tesouro Nacional, crédito privado (empréstimos feitos a empresas ou instituições), debêntures, enfim.Cada fundo se especializará em uma ou mais modalidade de renda fixa, que em linhas gerais inclui títulos pré-fixados, pós-fixados, inflacionários, indexados ou incentivados.
Essas combinações geram resultados com perfis de risco bem diferentes, então é importante que você entende o que cada fundo se propõe a fazer e quais as implicações dessa atividade, OK? Fundos pré-fixados e atrelados a inflação tendem a performar melhor no longo prazo, mas oferecem oscilações bem significativas no curto e médio prazo. Fundos pós-fixados, por outro lado, tendem a se manter próximos do CDI e se beneficiam de ciclos de alta na taxa de juros.
Fundos de renda variável são ainda mais diversos, uma vez que incluem desde aqueles que investem exclusivamente em ações até outros que operam com moedas estrangeiras, futuros de commodities, opções, criptomoedas e toda sorte de ativo de risco que você puder imaginar. Claro, dentro daquilo que é permitido pelo estatuto do fundo, de modo que você sempre saberá, antes de investir, quais os ativos e estratégias que a equipe de gestão poderá recorrer.
Nessa medida, os dois tipos principais são fundos de ações (que tem a maior parte do portfólio alocado nesse tipo de ativo) e fundos multimercado, que são formados com o intuito de operar em diferentes searas do mercado financeiro, dando a equipe de gestão mais liberdade para atingir seus objetivos, mas aumentando a chance de resultados ruins e imprevisíveis. Nos dois casos, a questão é sempre buscar bons fundos com histórico de qualidade – como trataremos em outros textos.
Um outro tipo de fundo de renda variável, que é frequentemente confundido como sendo de renda fixa, são os fundos de investimento imobiliário, que podem ser “de papel” (quando investem principalmente em títulos), “de tijolo” (quando investem no imóvel em si) ou mistos (um pouco de cada). Isto se dá porque as cotas de participação são negociadas no mercado de bolsa, oscilando de forma parecida com uma ação, e porque a porcentagem paga mensalmente a seus/as participantes não é fixo, oscilando a cada mês.
Como investir em fundos?
Como dissemos, mais adiante teremos textos específicos para te ajudar a escolher um bom fundo dentro de cada uma das categorias que existem e de acordo com seu perfil de risco, objetivos, etc. Mas se você gostaria de começar a avaliar algumas opções ou mesmo fazer um aporte, é muito simples. Todas as corretoras do Brasil oferecem uma variedade de fundos para você investir, basta criar uma conta e transferir os fundos, não se esquecendo de ler e entender as informações essenciais sobre o fundo, como objetivo, taxas, rentabilidade histórica, etc.
Uma vez que tenha feito a aplicação, é importante que você dê tempo para a equipe trabalhar! Lembre-se que investir é algo que fazemos tendo em mente prazos mais longos e dependendo do tipo de ativo no qual o fundo investe, você pode perder a cabeça ao ver as oscilações diárias. Tente se limitar a olhar o rendimento somente no fim do mês, ou a cada dois ou três meses, tendo em mente que quanto mais tempo seu dinheiro ficar lá, mais ele tende a render e/ou recuperar eventuais perdas – pense em termos de anos, não de semanas ou dias.
